Reportagem!!! Sustentabilidade

13/12/2011 22:53

Ilhas de frescor
Telhados brancos viraram tema de discussão e podem se tornar obrigatórios na cidade de São Paulo. Tudo em nome da redução no aquecime nto global, que ainda não está devidamente comprovada.

O modelo é o mar de casas brancas que, equilibradas em encostas íngremes, conferem um visual incomparável (e cobiçado por turistas do mundo todo) à Grécia. Se não em beleza, o que seria difícil igualar, ao menos no alegado efeito ecológico. A adoção de telhados brancos como forma de reduzir as ilhas de calor nas cidades e atrasar os efeitos do aquecimento global virou de vez tema de discussão mundial.

 


 

Até na Câmara de Vereadores da cidade de São Paulo está em análise um projeto de lei, ainda sujeito a regulamentação, que, se for aprovado, tornará obrigatório a todos os moradores adotarem telhados brancos em um prazo de até 180 dias. A proposta é inspirada na campanha mundial One Degree Less, da Green Building Council (gbcbrasil.org.br), ONG voltada a causas ambientais com grupo de atuação também no Brasil.

Estudos como o do Environmental Energy Technologies Division, dos Estados Unidos, mostram que o telhado branco reflete de 70% a 80% do sol que incide sobre ele, o que reduz o efeito de ilha de calor em aglomerados urbanos e ainda proporciona economia de energia elétrica, ao refrescar os interiores e diminuir a necessidade de uso de ar condicionado. Por outro lado, no inverno, em cidades onde faz frio, como a própria São Paulo, aumenta-se a necessidade de aquecedores.



A proposta é polêmica e envolve também questões estéticas. Afinal, nem toda arquitetura combina com um telhado pintado de branco, certo? “Mas ilhas de calor, que são o foco dessa discussão, são formadas em regiões centrais das cidades, onde as construções são próximas e muitas vezes, altas. A cor do telhado acaba não interferindo”, diz o arquiteto Keiro Yamawaki, que defende a ideia. O telhado do escritório Proa, do qual é sócio, foi pintado de branco.